Cachorro também é gente!

Cachorro também é gente!

Precisa-se ser ao menos um trintão para lembrar desta frase. Imortalizada pelo então ministro do trabalho do governo Collor, Rogério Magri, quem, enquanto passeava tranquilamente com seu cachorro na Suíça durante uma viagem para um congresso, foi flagrado por um jornalista brasileiro que estranhou sua postura de turista e indagou-o referente a seu cão. Esta foi sua resposta.

Última foto antes do embarque ;)

Última foto antes do embarque ;)

A verdade é que a frase pegou e ela deu o título a este post devido a um acontecimento intrigante ocorrido ontem. Já falamos aqui sobre todo o processo da vinda de nossos cachorros para os EUA, e todo o esforço e investimento que fizemos é um mero retrato de todo o sentimento que nutrimos por eles. Para alguns não faz sentido tanta atenção dada a eles, mas, enfim, nós pensamos diferente e respeitamos quem não concorda.

Nosso lindo West Highland White Terrier (raça mais conhecida como o “cachorrinho do iG”), o Charlie, com seus oito anos, não é castrado. Foi uma decisão que tomei porque quis que ele fosse o primeiro de uma linhagem de westies que teríamos. Esta decisão fez com que ele fosse um cachorro… normal. Ou seja, muito ativo, curioso e sempre pronto para mostrar ser o alfa.

Todos os dias saímos para passear com ambos aqui nas ruas de nossa vizinhança. Quando chove ele fica inquieto, pois os passeios são cancelados. Depois de alguns dias de tempo chuvoso, ele não aguentava ficar mais casa. Foi quando a Couve Mãe o deixou brincar no quintal, como de praxe.

Dentes e unhas pra executar a estratégia de fuga.

Dentes e unhas pra executar a estratégia de fuga.

Recebo uma ligação em meu trabalho: “Amor, o Charlie sumiu!”. E desta vez não eram apenas minutos. A Couve Mãe já tinha olhado em toda a rua que moramos e nada de ele aparecer. Há alguns meses ele já tinha fugido para a casa do vizinho (ele mordia a parte inferior da típica cerca de madeira que separa as casas aqui nos EUA até fazer uma abertura suficiente que passe seu corpinho).

Mas desta vez ele cavou um buraco e decidiu sair pelo mundo.

Foram duas horas de tensão, lágrimas e ininterruptas buscas. Saí correndo do trabalho, peguei a via pedagiada para chegar mais rápido e continuei dirigindo por todas as ruas próximas procurando-o, com janelas abertas e chamando: “Charlie! Charlie!”. Enquanto isso, a Couve Mãe postava no Facebook foto dele, ligava para vizinhos e acessava sites específicos de lost and found.

Dizem por aí que Westies são brancos rs

Dizem por aí que Westies são brancos rs

Graças a Deus o final foi feliz. Uma querida vizinha saiu de bicicleta para ajudar a procurá-lo e encontrou-o a cerca de um quilômetro de nossa casa, completamente sujo. Entrei no carro e fui até lá. Quando me viu, correu em minha direção, como se agradecesse por achá-lo (acho que ele acabou se perdendo e não conseguiu voltar pra casa).

Moramos muito próximo a uma tollway (a vida pedagiada que mencionei), ou seja, ele poderia ter ido pra lá e o final poderia ter sido outro, muito pior. Estamos felizes que ele está de volta e podemos contar com nossa família de imigrantes brasileiros completa aqui nos EUA.

É muito triste quando vemos pelos postes aqui cartazes de famílias procurando por seus bichinhos, inclusive oferecendo recompensa para quem encontrá-los. Ninguém está preparado para este tipo de acontecimento, mas, acho que vale mencionar algumas dicas:

Tenha sempre uma tag presa à coleira dele, com nome do cachorro e também o seu, além de suas informações de contato (endereço e telefone).

Microchipe seu cachorro. Esta identificação única permite que, mesmo que o cachorro não tenha tag, o dono seja encontrado.

Cuidado com os fogos de artifício. Eles fazem parte da cultura geral para os seres humanos, mas animais sofrem muito. Portanto, em épocas de festividades, deixem seus cachorrinhos dentro de casa, para evitar que o desespero causado pelos fogos os faça pular muros ou cercas e fugirem. Felizmente aqui nos EUA os fogos de artifício só acontecem duas vezes por ano, no Réveillon e no Dia da Independência (4 de julho).

Enfim, uma história tensa com final feliz. Todo o cuidado, carinho e amor que dedicamos a eles valem a pena, afinal, cachorro também é gente!

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