5 pontos não tão positivos sobre Houston, Texas

5 pontos não tão positivos sobre Houston, Texas

“Houston, we have a problem!”. Na verdade, vou falar de cinco problemas. O título deste post é um eufemismo (“não tão positivos” ao invés de negativos) para evitar aquela impressão de que esteja falando mal da cidade que primeiro nos acolheu aqui nos EUA. Nós amamos esta cidade e, sinceramente, não poderíamos ter uma melhor entrada neste país. Num próximo post explicarei o outro lado da história. Mas, para começar, vou citar cinco pontos não muito interessantes sobre Houston:

1 – O Trânsito

Saudade zero dos motoboys nos corredores.

Saudade zero dos motoboys nos corredores.

Nós viemos de São Paulo, então saiba que não estamos chorando de barriga cheia. Afinal, só o fato de existir motoboys costurando o trânsito já é para fazer uma festa que dure a noite toda, só para celebrar a inexistência desta categoria. Se você for motoboy e estiver lendo esta página, não me leve a mal. A profissão é importante, mas o risco que vocês trazem à si mesmo e a outros pilotando suas motos entre as faixas é algo inaceitável. Enfim, aqui nos EUA isto é proibido e é uma ótima sensação ligar a seta e mudar de faixa sem o medo de que apareça alguma moto como se fosse o DeLorean vindo de outra dimensão.

Mesmo com esta maravilha (não exclusiva de Houston, convenhamos, mas dos EUA como um todo), o trânsito daqui é considerado um dos piores dos Estados Unidos. E é verdade. O Texas é a Itu dos EUA e aqui tudo é grande, inclusive os carros, e os donos destes carrões adoram considerar-se donos das ruas e estradas, de forma que muitos aceleram o quanto querem, trocam de faixa da mesma forma, raramente ligando a seta para avisar. Penso que, com o tempo, este mau comportamento foi se disseminando e até os donos de carros pequenos médios adquiriram este péssimo hábito. Ou seja, salve-se quem puder.

A parte boa de não permitirem motoboys costurando é contrariada pela estranha regulamentação (estadual, não nacional) quanto à utilização do celular enquanto se dirige. É impressionante como todo mundo dirige falando ou mexendo no celular. Em em Houston no máximo existem recomendações em publicidade e punições apenas caso exista uma placa informando seu uso probido (geralmente em frente a escolas – as chamadas school zones).

2 – Atendimento em Serviços públicos

Só de pensar neste item dá vontade de nem escrever para evitar as más lembranças… Entretanto, sei que preciso compartilhar. Não sei como funciona no Brasil (na verdade eu sei, mas vou fingir que é só aqui rsrs), mas, em minha experiência pessoal, atendimento em serviços públicos é nivelado por baixo. Correios, Segurança Social, Receita Federal, Departamento de Trânsito. Tive péssimas experiências em TODOS eles.

Péssimo no real sentido da palavra, ou seja, atendentes mau educados, não importando a cor da pele (antes que alguém pense que seja algo racial), informações ambíguas e divergentes entre agentes do mesmo local, enfim, é sempre uma aventura (de mau gosto).

3 – A instabilidade de seu clima

Não é montagem. E aconteceu em 2015.

Não é montagem. E aconteceu em 2015.

Pois é, Houston é uma cidade daquelas. Bem quente e úmida no verão (em uma palavra, insuportável) e muito fria no inverno. Já tossi várias vezes enquanto escrevo este texto porque o recém-chegado outono já está trazendo o inverno consigo (e minha garganta “agradece”).

Se fossem apenas os temperamentos das estações do ano, tudo bem, afinal, é ótimo ver seus nítidos sinais (árvores florescendo, frio e calor dizendo oi e tchau…), pois em São Paulo tínhamos todas as estações em um dia só, mas Houston tem uns biscoitinhos da sorte bem intrigantes.

Chuvas torrenciais, alagamentos históricos, tempestades que cantam alto e tornados que causam bastante estrago. Está bom ou quer mais? Pois é, em apenas um ano aqui já vimos de tudo isso um pouco. Sua localização a transforma no quintal do golfo do México, onde muitas tempestades tropicais são formadas. Apesar de não estar na rota dos tornados, aqui também é o “terreno do lado” onde volta e meia recebemos alertas para procurarmos um local seguro.

Enfim, depois que as coisas passam ficam as histórias, mas durante é uma sensação de medo que nunca tínhamos passado no Brasil.

4 – As distâncias e a dependência do carro

No primeiro item falamos sobre o trânsito de Houston e a má educação de alguns motoristas. Muito disso acontece devido à necessidade de carro por praticamente toda a população. Sim, existe transporte público, mas é muito ineficiente se comparado a cidades como Londres e Nova York, por exemplo.

É uma cidade muito grande e espaçada. O tempo médio de transporte é 50 minutos, ou seja, sempre uma viagem para chegar a seus destinos. No começo era um cansaço sair de casa (escolhemos morar no subúrbio da cidade por preços mais acessíveis e melhor qualidade de vida), mas hoje nos acostumamos a dirigir pelas nossas muitas avenidas, estradas rodovias.

5 – É uma cidade pouco saudável

Tenho um primo que mora em Nova York que, quando soube que eu viria para Houston, alertou-me quanto a uma visita que eu poderia receber em minha casa: a obesidade. E é verdade, nunca vi tanta gente com obesidade mórbida. Houston faturou este indesejado título de cidade mais obesa dos EUA, com 34% de sua população com sobrepeso. Sendo a quarta maior cidade do país, é muito fácil ver gente obesa em todo lugar.

É muito triste pois o governo não faz nada para ajudar estas pessoas. E a combinação mortal existente na cidade (grandes distâncias, carro para qualquer tipo de locomoção, comida em toda esquina) vira uma fábrica de gordura acumulada. Não é questão estética. É uma questão de segurança pública e vidas não param de ser perdidas devido às consequências de uma dieta mortal.

Esta foi minha lista para quem tem curiosidades sobre a vida aqui em Houston. Deixei o melhor de Houston para um próximo post, assim você não desiste de visitá-la.

Um abraço!

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